Vinicius Ribeiro - Arquiteto, Urbanista e Professor Universitário

A hora da Mobilidade Humana e do Desenvolvimento Baseado no Conhecimento.

A decisão de uma empresa é resultado somente uma estratégia comercial e financeira ou o início de um fim do ciclo econômico ligado ao padrão básico de automóvel?

Vinicius Ribeiro Artigos 32 views 3 min. de leitura

A hora da Mobilidade Humana e do Desenvolvimento Baseado no Conhecimento.
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

Com o fechamento das fabricas da Ford no Brasil, abriram-se discussões sobre o futuro das empresas e dos trabalhadores do setor no País. O debate político e econômico focalizou a diretriz pela não concessão de subsídios – neste caso, acabou convergindo opiniões de governantes e partidos adversários. Conforme dados da Receita Federal, nos últimos 20 anos, os benefícios atingiram o patamar de R$ 69,1 bilhões. Mesmo com a redução e isenção de impostos, ano após ano, o setor passou a empregar menos.

O protagonismo da Ford de hoje foi diferente de outros tempos. No final do século 19, ela lançou o Modelo T, anos depois, implementou o modelo fordismo e, em seguida, popularizou o acesso ao veículo privado motorizado. Os resultados dessas ações nos EUA fizeram a fábrica de Detroit ser reproduzida em outra escala para diversos países do mundo, entre eles o Brasil.

A inserção do automóvel, com a característica de propriedade individual no uso do espaço coletivo, mudou radicalmente o modo das pessoas viverem nas cidades, e a forma como os espaços foram (re) planejados no século seguinte. O acesso a esse bem individual se popularizou tanto, que seu excessivo uso no espaço público passou a ser um problema universal.

A realidade é que este modelo de automóvel está acabando. Símbolo de status e de orgulho pessoal, esse patrimônio movido pela combustão convencional é cada vez menor. Sendo aceito pelas famílias que fazem a contabilidade dos gastos familiares – comparando com aplicativos, bicicletas, ônibus e alugueis de carros - e pelos jovens, por preferirem investir em outros bens ao invés de automóveis. Na verdade, o que mudou foi o pensamento das pessoas em relação à mobilidade urbana (humana).

As características do automóvel urbano do futuro passarão pelo seu deslocamento através de energia alternativa e limpa, pelo seu tamanho - menor que os modelos atuais, compartilhados e de uso coletivo, com velocidade reduzida e controlada – muitos sem motoristas, e com automação como sensores, downloads, câmeras e pouquíssimo ruídos com toda a tecnologia disponível para risco zero de acidentes.

Por outro lado, a mudança desse cenário irá acelerar fontes, capacidades, processos e resultados de inovação e, oportunizar a manutenção do capital intelectual da nossa cidade e região.

Precisamos converter conhecimento em inovação capaz de impulsionar o crescimento econômico em longo prazo e a criação de riquezas na região, como alertam diversos pesquisadores, entre eles Schiuma e Lerro (2010). Isso não é uma mudança de matriz econômica como ouvimos de forma recorrente, mas sim o desenvolvimento regional baseado no conhecimento local.

 

  Fonte da foto desconhecida
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

Deixe seu comentário aqui: